terça-feira, 13 de novembro de 2012

Crianças aprendem e pensam como cientistas


 
Imagem ilustrativa
 
Crianças em idade pré-escolar são capazes de tirar conclusões com base em análises estatísticas. Elas também aprendem por experimentos individuais e observação dos colegas. Essas são as características que levaram a pesquisadora Alison Gopnik, do Departamento de Psicologia da Universidade da Califórnia em Berkeley, a concluir que os pequenos têm uma maneira de pensar e aprender muito similar à dos cientistas.

A constatação, que enfatiza a importância das experiências vividas pelas crianças de até 6 anos, pode ter implicações na maneira como se estrutura o ensino infantil. Para se chegar a esse resultado, publicado na última edição da revista Science, Alison fez uma revisão de dezenas de pesquisas anteriores que avaliaram os mecanismos de pensamento das crianças pequenas.

Ela defende que as crianças, mais do que os adultos, são capazes de propor teorias incomuns para resolver problemas. "Esse tipo de pensamento hipotético reflete sobre o que poderia acontecer, e não sobre o que realmente aconteceu. E esse é um tipo de pensamento muito poderoso que usamos na ciência", diz Alison. Ela completa que a própria brincadeira de faz de conta, aquela atividade espontânea em que as crianças costumam se engajar, é "uma reflexão sobre esse raciocínio e compreensão profundos".

Mas como é possível saber que crianças pequenas ou até bebês, que ainda nem têm a fala desenvolvida, tenham a capacidade de fazer análises estatísticas? A resposta vem de experimentos recentes que têm testado a capacidade reflexiva de crianças cada vez mais novas.

Em um deles, por exemplo, bebês de 8 meses mostram-se surpresos quando o pesquisador retira de uma caixa cheia de bolas brancas, contendo apenas algumas bolas vermelhas, uma amostra com a maioria de vermelhas e poucas brancas. Alison observa em seu artigo que é como se os bebês dissessem: "Aha! A probabilidade de isso ter ocorrido por acaso é menor que 0,05".

Uma das pesquisadoras que atualmente se dedica a essa abordagem é a psicóloga Fei Xu, do Laboratório de Cognição e Linguagem Infantis da Universidade da Califórnia em Berkeley. "Em situações da vida real, estamos sempre em situações de incerteza. Então temos de pensar qual é a probabilidade de algo acontecer", explica a cientista. "Queremos saber se os bebês têm essa habilidade de raciocínio mesmo antes do aprendizado da linguagem."

Outras experiências citadas por Alison foram bem sucedidas em demonstrar que crianças também aprendem com suas experimentações individuais, que surgem em meio às brincadeiras, e ainda observando seus colegas. Os mesmos procedimentos utilizados pelos cientistas.

Nova visão

No passado, o entendimento sobre o raciocínio das crianças pequenas era de que elas eram seres ilógicos e só concebiam o aqui e o agora. Hoje, as escolas levam em conta sua capacidade de experimentação. Segundo a psicopedagoga Quézia Bombonato, presidente da Associação Brasileira de Psicopedagogia, existe a construção do conhecimento e não a simples transmissão de informação. "É o ato de fazer que, do ponto de vista neurológico, o conhecimento saia do sistema límbico, de memória a curto prazo, e vá para o córtex, que corresponde à aprendizagem efetiva."

Para os educadores do CLQ o conhecimento da criança é sempre valorizado. O Colégio sempre inicia o conteúdo resgatando o conhecimento prévio dos alunos sobre o tema.

Deve-se considerar que crianças em idade pré-escolar são cientistas naturais. A própria ciência pode ajudar a transformar a curiosidade da criança em melhor ensino e aprendizado.
 

Com informações do jornal O Estado de S.Paulo.

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