segunda-feira, 6 de maio de 2013

Amizade entre as crianças

Frequentemente, na escola ou em outros ambientes, nos deparamos com crianças, ainda pequenas, afirmando: eu namoro o ... ou eu beijei a ....

Os adultos reagem de diferentes maneiras: alguns ficam admirados e incentivam as crianças para que continuem afirmando e contando os detalhes do "namoro", comentam entre seus amigos e familiares e perguntam sempre aos filhos qual é o (a) namoradinho (a) da vez. Outros, por outro lado, ficam estarrecidos e repreendem de maneira mais dura possível para que a situação não volte a acontecer.

Vale a pena colocarmos aqui qual o nosso ponto de vista sobre esses fatos e quais atitudes tomamos quando percebemos que os nossos pequenos estão pensando sobre o assunto.

Entendemos que, ao brincar de mamãe e papai, e imitar as ações normalmente relacionadas a essas figuras sociais, as crianças reapresentam o que julgam compor parte das ações dos adultos na vida cotidiana, resignificadas na brincadeira simbólica.

Mas o que acontece numa brincadeira de namoro? Mesmo atuando numa brincadeira, entram aspectos do namoro que as crianças copiam da vida adulta, mas que ainda não têm o menor sentido para elas, como dar um beijo na boca, ficar abraçando e andando de mãos dadas numa relação mais exclusiva, ações que em nada dialogam com a infância e com as demandas de desenvolvimento dessa etapa.

Consideramos como muito importante a necessidade de as crianças saberem que há marcos de crescimento que significam transições e que o namoro é um deles, marco da adolescência e não da vida de nossos pequenos.

Nossa preocupação em ambiente escolar é que vemos uma confusão quando dão o nome de namoro a algo que se trata de amizade e bem querer entre colegas, mesmo que mais constante e estendido para além dos muros da escola.

No entanto, o fato de nomearmos de maneiras distintas “namoro” ou “amizade”, não quer dizer que não se tratemos intensamente das relações entre as crianças no ambiente escolar. Muito pelo contrário, concordamos que cuidar das relações afetivas, de suas flutuações, conflitos, frustrações é extremamente importante e constituinte da personalidade moral em construção pela criança.

Assim, na escola, deixamos claro para nossos alunos que namoro não é algo do universo infantil e que o que vivem com seus colegas são relações de amizade, de descoberta de afinidades, intensas e mutantes, parte integrante da vida de crianças!

Cuidamos para guardar à infância o que é dela: conhecimento de si e do outro, por meio do convívio e da brincadeira. 



Referência: Escola da Vila

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