quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Estar na escola e ser da escola: quando percebemos essa diferença?



Na última sexta-feira, dia 27/11, tivemos um evento muito esperado pelas crianças dos Grupos 5 e também por todas as outras, menores ou maiores, que acompanham os preparativos da atividade, o “Acampadentro”, que representa a passagem dos pequenos da Educação Infantil para o Ensino Fundamental.
Os Grupos dos alunos de 5 anos são formados por crianças que estão no Colégio desde o início da Educação Infantil e outros que, embora estejam há menos tempo, completam essa turminha que vemos crescer, amadurecer e que nos surpreendem a cada descoberta que fazem!
É fato que estar na escola e ser da escola representam desafios diferentes para as crianças. Enquanto estar na escola tem um significado físico, ser da escola depende de uma construção da pertinência progressiva, que faz com que nossos pequenos aprendizes compreendam que fazem parte de um grupo. E esse grupo esteve junto todos os dias, participou das mesmas atividades e construiu a sua identidade. Através do convívio diário, as crianças compreenderam que a singularidade e a diversidade são reconhecidas e valorizadas nas interações que acontecem no espaço escolar.
Neste sentido, para as crianças, a rotina cumpriu um papel fundamental na construção desta pertinência. Ela foi construída no dia a dia, com o objetivo de organizar o tempo na escola, a ordem das atividades e seus planejamentos, em função das necessidades dos pequenos, de modo a viabilizar as aprendizagens em muitos âmbitos do desenvolvimento infantil.
A partir desta organização, que favoreceu a interação com os adultos, entre pares e com os materiais e os espaços do Colégio, o desconhecido tornou-se previsível por causa da tranquilidade que essa antecipação gera. E os sinais da construção da pertinência grupal e o sentido de ser da escola podem ser vistos, ouvidos e sentidos no nosso cotidiano: As crianças encontram conhecidos na entrada da escola e dizem:Vamos para a nossa sala?”, “Eu trouxe dois brinquedos e vou emprestar para você! E quando chegam à porta da sala perguntam: O meu amigo já chegou?”, “Hoje tem aula de Música?” Ou dizem: “Vamos lá na minha sala, lá tem um livro bem interessante!”, “Vou guardar a minha caneca, depois vou ao parcão”. E quando vemos, já há filas de sapatos pela sala, desenhos feitos por eles colados nas paredes, para ilustrar alguma pesquisa ou apenas para decorar aquele cantinho que chamam de seu.
E se o ser da escola é sentido no dia a dia pelas crianças, no dia do “Acampadentro”, ele fica muito mais evidente! Embora os pequenos estejam num lugar muito conhecido, a aventura garante que o sentimento de pertinência fique ainda mais forte. Afinal, são crianças de cinco anos que dormem longe dos pais – alguns pela primeira vez - além de participarem de atividades inusitadas e que exigem muita coragem!
Mas como sempre, para o “Acampadentro”, tudo é planejado de forma que as crianças se olhem, façam-se reconhecer, contem umas com as outras, expressem suas ideias, sentimentos e reconheçam professores e demais funcionários que apoiam o segmento, como adultos significativos, confiáveis e responsáveis por eles no período em que permanecem na escola.
E tudo isso garante que durante esses dois dias do “Acampadentro”, as falas e os gestos das crianças nos mostrem que todo o nosso empenho, em cuidar e educar, para que eles se sentissem parte de um grupo, valeu a pena!
No início da noite da sexta-feira, corações acelerados de pais e crianças rodeavam a entrada do Colégio. Muitos beijos, abraços, recomendações e fotos. Pronto! Lá foram eles, cada um com a sua malinha (malona, pois dava para passar uma semana no Colégio). “Você vai dormir ao meu lado?”, “Eu tenho medo de escuro.”, “Não precisa ter medo, a Tia Lu vai ficar junto.”
Puxa daqui, estica dali! Travesseiros e alguns bichinhos voando pela sala... “Me ajuda? Não consigo esticar o lençol!”, “Já é hora de dormir?”, “Ai que legal, vamos dormir na sala dos grandes!” Camas arrumadas! Dormir? Não!!!

Todos para o auditório! Palmas, gargalhadas e alegria com o teatro dos palhaços: com a participação especial do Papai Noel. Terminado o espetáculo, hora do passeio com lanternas! Lanternas? Cadê as nossas lanternas? Sumiram!
Colégio todo escuro, crianças com os olhos arregalados, uns de mãos dadas, outros rindo de medo e o Tio Robson e a Tia Vânia comandando a expedição em busca do objeto que ajudaria muito em meio à escuridão!
Um pouco de suspense, investigação, cuidado, atenção e esperteza foram necessários para encontrar o baú onde foram escondidas as lanternas. Cada um iluminando um pedacinho de chão, lá foram eles! Pela floresta escura, no caminho que leva ao mar, à procura da balsa que os levaria à ilha do tesouro perdido... Mas, não estávamos no Colégio? Sim! Mas como diria a canção de Toquinho... “O mundo da criança é iluminado, é um universo, é abençoado.”

E nesse clima de magia, terminamos a nossa noite, com a festa do pijama e bons sonhos.



E a manhã do sábado foi cheia de alegria! Para as crianças, realização em conseguir vencer essa aventura. Para os pais, alívio e orgulho em ver os filhos tão bem e felizes. E para a nossa equipe, sensação de dever cumprido, pois vemos que os nossos pequenos cresceram, são fortes, fazem parte de um grupo e serão capazes de continuar a caminhada, na mesma escola, mas com uma rotina um pouco diferente, que traz mudanças e novos desafios. Mas juntos, eles continuarão iluminando e conquistando os espaços por onde passarem!





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