terça-feira, 26 de abril de 2016

MÃES E PAIS: Precisamos conversar sobre o whatsapp”

O aplicativo de celulares whatsapp faz parte de nosso dia a dia e passou a ser uma opção fácil e rápida de comunicação. Assim, hoje, é inevitável que façamos parte de grupos com diversas finalidades, inclusive como pais e mães da mesma turma dos filhos na escola.
Esses grupos possuem diferentes objetivos, e seus limites fazem parte da reflexão que propomos neste texto.

Aqui no CLQ, muitos pais participam destes grupos para trocar informações relacionadas ao cotidiano das crianças, que acreditamos serem úteis, como por exemplo, no fortalecimento das relações de convívio, divulgação e promoção de programas culturais, comunicação de festas e aniversários, organização de rodízios e caronas e aproximação entre as famílias.
Porém, temos recebido famílias preocupadas e incomodadas com o conteúdo que tem sido discutido nos grupos: temas que geram desconforto entre os participantes e assuntos que promovem desavenças e interpretações precipitadas de acontecimentos inerentes à rotina escolar.
Temos vivenciado muitas situações nas quais a escola é informada indiretamente sobre cenas distorcidas, parcialmente analisadas, fora do contexto e com julgamentos infundados: “uma criança que agride não é, necessariamente, uma ameaça; um objeto que desaparece não é, necessariamente, resultado de um furto; um adulto que ‘fica bravo’ não foi, obrigatoriamente, inadequado; uma frase tirada do contexto (comum nos relatos das crianças  em casa) não quer dizer, literalmente, o que foi dito; uma família desorganizada temporariamente não deixa de amar e cuidar de seus filhos e uma provocação infantil não é sempre bullying”.
Com isso, o Colégio acaba tendo que esclarecer situações que deveriam fazer parte da confiança básica dos familiares em relação aos profissionais da escola escolhida para trabalhar com seus filhos.

Dessa forma, como educadores, temos observado, nestes grupos, falta de tolerância, desrespeito, comentários que acuam, constrangem, julgam ou reprimem condutas, fazendo com que indisposições e eventualmente inimizades sejam criadas desnecessariamente, “atitudes contrárias a valores que passamos anos a forjar na formação integral de nossos alunos”.
Ainda, o que mais nos tem preocupado são situações nas quais mães e pais tem interferido na construção de responsabilidades e autonomia próprias do estudante: “pedindo aos pais dos colegas, cópias das lições de casa que seus filhos não anotaram, conferindo orientações de estudos, revisando provas, imprimindo exercícios da internetcomentando questões e consignas dos trabalhos, ações todas voltadas para resolver questões que deveriam ser dos alunos. Ou seja: aos olhos da escola, retiram desafios fundamentais dos filhos na busca de evitarem frustrações e situações que podem ser profundamente educativas para o futuro dos mesmos. Como irão esses jovens, tutorados pelos pais, assumir suas responsabilidades atuais e futuras se lhes tirarmos a oportunidade de aprender”?

Dessa forma, este texto tem o objetivo de fazer com que os grupos de whatsapp entre pais e mães caminhem com tranquilidade, respeito mútuo e amabilidade, e o mais importante: remeter à escola questões que somente encontram razão de ser, se abordadas na escola e pela escola”.



– TEXTO INSPIRADO E ADAPTADO DO ESCRITO PELA PROFESSORA FERNANDA FLORES, E PUBLICADO NO BLOG DA ESCOLA DA VILA (SP), NO DIA 18/04/2016.  

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