quarta-feira, 4 de maio de 2016

Como brincam as nossas crianças?


Quantas e quantas gerações de crianças viveram histórias de brincadeiras e brincares que ficaram impregnadas nas suas memórias, nos seus corpos, nos seus seres e saberes? Brincares que nos constituem na nossa humanidade, no ser em que cada um de nós se tornou por ter tido a oportunidade de brincar?
E atualmente, como têm sido as oportunidades de brincar?
Temos um cenário social cada vez mais ocupado em pressionar e adiantar processos e aprendizagens; hiper estimular as crianças, sem respeitar o ritmo, o tempo e as escolhas de cada um. Ansiosos, muitos adultos precipitam-se em oferecer uma parafernália de objetos, brinquedos, apetrechos, tecnologias e estímulos – muitas vezes inadequados – tirando das crianças a possibilidade de viver suas infâncias de forma plena, criativa, autêntica, autoral e significativa.
A escola é um ambiente que aparece nesse cenário social e que tem um papel muito importante quanto ao brincar infantil! É um espaço privilegiado para o encontro de crianças de diferentes faixas etárias e deve garantir locais, momentos e principalmente estímulo à prática do brincar, a qual propicia sonho e fantasia, que potencializa aprendizagens e trocas e que reencanta a vida das crianças de hoje em dia.


E no CLQ, como brincam as crianças?
O brincar está presente diariamente ao longo do dia na rotina das crianças. A Educação Infantil é um ‘cenário’ repleto de espaços e materiais que favorecem o surgimento de diferentes brincadeiras.  


Estabelecendo um paralelo com o teatro, o cenário é o lugar onde se passa a cena, onde se desenrolam as ações do protagonista. No caso da escola, o cenário proporciona o local de uma cena a ser vivenciada, sugere e convida a uma brincadeira ou a realização de atividades a serem desenvolvidas pela criança: a protagonista.
Embora o cenário comunique as intenções do professor e disponibilize desafios ao grupo de crianças, são os alunos que decidem, com seus pares, de que forma irão interagir nesse espaço preparado especialmente para que elas possam fazer suas escolhas.




As professoras atuam como mediadoras: observam e analisam o desenrolar das ações, para poder intervir, respeitando o modo próprio de cada um se colocar “em cena” e, ao mesmo tempo, instigando-a a avançar em seus percursos lúdicos, de pesquisa e de socialização.
A proposta do CLQ para potencializar o brincar consiste, assim, em uma organização do ambiente no qual as crianças podem escolher o que vão fazer a partir de um leque de opções oferecidas e organizadas pelas professoras, em vários espaços do Colégio.

Como afirma a autora Heloísa Dantas: “Em uma sala vazia, uma criança não pode exercer atividade livre; sua liberdade cresce na medida em que lhe são oferecidas possibilidades de ação, isto é, opções. Neste sentido, a liberdade da criança não implica na demissão do adulto: pelo contrário, expandi-la implica no aumento das ofertas adequadas às suas competências em cada momento do desenvolvimento. ”




 Fotos: Grupo 5 - Parque - Proposta: brincar utilizando tecidos e jornais. As crianças transformaram os brinquedos do parque em um castelo e os jornais em trajes de príncipes, princesas, guerreiros e outros personagens.


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