terça-feira, 4 de outubro de 2016

Ler e escrever na Educação Infantil, o real o possível e o necessário.



“Alfabetizar implica que a criança aprenda a codificar e decodificar, pois é um sistema inventado, diferente da língua oral: o ser humano já nasce programado para falar. A escrita é uma convenção. É uma ingenuidade achar que a criança deva reinventar um sistema convencional. Então é preciso ensinar isso sistematicamente”.
(Magda Becker Soares).

Ao contrário do que se pensou ao longo da história, a Educação Infantil não é uma etapa preparatória para o Ensino Fundamental, ou seja, as crianças não passam o tempo fazendo exercícios de coordenação motora, escrevendo palavras sem sentido ou letras isoladas, e tão menos lendo ou ouvindo histórias “fáceis”, porque ainda não são leitoras competentes.

Sabemos, hoje, que em nossa sociedade, desde muito cedo, as crianças estão em contato com a língua escrita e logo se interessam por sua função e estrutura. Deparam-se, com frequência, com materiais escritos: livros, revistas, rótulos, “outdoors” e presenciam atos de leitura e escrita por parte de adultos e crianças mais velhas.

Nesta concepção de aprendizagem da língua escrita, a criança chega à escola com um rico conhecimento da língua materna e, inconscientemente, utiliza saberes linguísticos em situações de comunicação no seu dia a dia.

Na Educação Infantil, os alunos participam de muitas brincadeiras e atividades que desenvolvem a imaginação e a criatividade e também de situações quando o ler e o escrever têm sentido.


Relacionam-se com a literatura, pois ouvem histórias diariamente, visitam a biblioteca e conhecem novos títulos, levam livros para casa a fim de apreciá-los e conversar sobre o que leem.

As crianças também produzem textos, ditando para a professora, que empresta suas mãos para escrever bilhetes e convites endereçados às famílias, a funcionários da escola ou a colegas de outra sala; elaboram, verbalmente, legendas para as fotos que irão para um mural ou para imagens sobre estudos que fazem em várias áreas do conhecimento. São autorizadas, ainda, a escrever sozinhas, mesmo que distantes do modo convencional como fazem os adultos, registrando de acordo com suas hipóteses. Brincam, incorporando ações dos adultos, que incluem eventos nos quais escrever faz sentido.

Do mesmo modo, são leitoras ao folhear um livro conhecido e repetir a história ou o poema que lá está escrito; ao declamar parlendas guardadas na memória; ao identificar quem serão os ajudantes do dia, a partir das fichas de nomes; ao escolher, dentre duas possibilidades, a brincadeira que será feita no dia, ou o livro que será lido na roda de história. 



Trabalhando, assim, pretendemos validar a afirmativa de Emília Ferreiro “a escrita é um sistema de representação da realidade e a alfabetização é o resultado de um domínio progressivo desse sistema, que não se resume à conquista de habilidades meramente mecânicas ou visuais”.

A necessidade intelectual de aprender, das crianças pequenas, e o contato com o ambiente letrado, favorecem o interesse e a curiosidade para a aquisição da língua escrita. Portanto, “a instrução é válida quando precede ao desenvolvimento” (Vigotsky), ou seja, não faz sentido a escola determinar a idade cronológica ou o momento ideal para ensinar a ler e a escrever.
"O necessário é fazer da escola um âmbito onde leitura e escrita sejam práticas vivas e vitais, onde ler e escrever sejam instrumentos poderosos que permitem repensar o mundo e reorganizar o próprio pensamento, onde interpretar e produzir textos sejam direitos que é legítimo exercer e responsabilidade que é necessário assumir." (Délia Lerner)





Fotos:  Situações de leitura e escrita promovidas nos Grupos de 5 anos.
Título do texto: referência ao Livro de Délia Lerner (2002), "Ler e escrever na escola o real, o possível e o necessário."

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

A sala de aula é o pensamento!




“Sala de aula é teia que enreda o conhecimento. Seu espaço é o tempo. Seu tempo é o espaço. Fora, dentro, entre. A cidade, o país, as pessoas, os sonhos, o brincar são suas linhas, que escapam sempre da imagem da criança encaixada em uma sala, em sua aula entediada. A sala de aula é o pensamento... que costura o sabido ao inédito.”

Marcelo Cunha Bueno

Quando pensamos em escola, independente se de "pequenos" ou "grandes" a imagem que nos vem à mente ainda é de um ambiente de sala de aula, com lousa, cadernos, alunos e professores. Esse ainda é um formato existente e necessário, mas não deve ser único!


Para tecer os saberes que permeiam o universo das crianças é preciso ir além!
As atividades precisam promover a criatividade, o pensamento crítico e a resolução de problemas. "Costurar o sabido ao inédito" requer momentos em que a comunicação e a colaboratividade se façam presentes.
Na educação infantil é assim, temos atividades que acontecem entre quatro paredes, em sala de aula. Mas, a maior parte do que propomos às crianças, requer outros espaços. São atividades que "costuram" a informação, a experimentação e a reflexão.
As crianças aprendem sobre a matemática, a linguagem e as ciências através dos projetos didáticos que não dependem unicamente da emissão dos conhecimentos por parte do professor. Ao professor, cabe propor problemas para que elas possam agir, refletir, falar e evoluir por iniciativa própria, criando assim condições para que tenham um papel ativo no processo de aprendizagem.  
Por isso não há a necessidade e nem a possibilidade do uso de um único ambiente, pois se a intenção é ampliar os conhecimentos dos alunos, quanto mais oportunidades de por em jogo aquilo que aprenderam, mais chances terão de transformar a informação em conhecimento.










domingo, 7 de agosto de 2016

A alegria do retorno!



"Uma escola atravessada pelos afetos não deve ser fria, deve ter paredes que revelam a intenção do projeto educativo.
Deve ser alegre, cheia de vida e cor.
Deve ter adultos ouvintes e crianças falantes.
Deve ter novidades, aprendizagens e curiosidades.
Deve ser como um laboratório de ideias, de experiências e de descobertas.
Deve ser viva!"

Tais Romero


É sempre uma alegria voltar às aulas, seja no início do ano letivo ou após as merecidas férias de julho. 




Para a equipe pedagógica, julho é um mês de descanso e também de organizar as ideias, de preparar os espaços, de criar novas atividades ou de dar vida àquelas ideias que vieram das próprias crianças. Pensamos tudo com muito carinho, colocamos a casa em ordem e preparamos surpresas que transformam espaços comuns em ambientes novos e convidativos, proporcionando maiores possibilidades de criação, convívio e circulação.











Mas, tudo isso somente faz sentido com a chegada daqueles que dão cor e som a tudo que foi organizado. Aqueles que, com um sorriso, uma corrida para ver algum detalhe novo, enchem as nossas tardes de alegria. 



São os comentários, também dos menores, que nos fazem ter a certeza que o Colégio é deles. Quanto mais as crianças exploram, experimentam e aprendem com tudo que propomos, acreditamos que estamos no caminho certo. 














O retorno dos alunos garante a retomada da rotina, a certeza de que o novo semestre será de muitas aprendizagens para todos e que, são elas, as crianças que dão VIDA a tudo o que propomos!


quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Jurassic Park




Depois de uma semana viajando pela "Terra do Nunca", as crianças do Plantão, ao entrarem no Colégio, ouviram ruídos estranhos e viram também pegadas enormes. Espalhadas por todos os espaços, cavernas misteriosas parecidas com as da pré-história!







Intrigadas com tanto mistério, as crianças exploraram todos os espaços à procura de mais informações sobre essas marcas deixadas no Colégio.










O que será que havia acontecido no final de semana enquanto descansávamos? Quem ou o que deixou essas pegadas e construiu as cavernas?
Mistérios...




Preparados com muita energia e curiosidade, lá foram eles! No caminho encontram muita lama, alguns obstáculos, uns adultos malucos e divertidos brincando com balões cheios de água!





Mas nada que os impedisse de continuar a busca para descobrir o que havia deixado as marcas misteriosas! Passaram a tarde procurando, procurando... E nada de encontrar mais pistas sobre o que havia acontecido no Colégio.
Quando de repente, bem no final da tarde, alguém apareceu gritando lá do parque...


Algo estranho havia sido encontrado... Fomos todos investigar! 
Olhares atentos... Um pouco de medo, mas muita curiosidade! O que será que havia acontecido no parque enquanto ouvíamos história?


Um ninho gigante com ovos foi encontrado! Sim, ovos! Mas do que? Melhor analisar!






E depois de muito observar aqueles três ovos misteriosos, as crianças tiveram várias ideias: colocá-los para chocar no galinheiro, fazer uma omelete gigante, procurar quem ou o que havia deixado aquele ninho no Colégio. E a última ideia foi aceita por todos. Com muito cuidado, todos ajudaram a acomodar o ninho na brinquedoteca e foram embora, pensando o que iria acontecer enquanto estivessem em casa.
No outro dia, assim que chegaram, as crianças foram correndo ver o que havia acontecido com os ovos!


E, para a surpresa de todos, um dos ovos havia desaparecido! Mais um mistério para ser desvendado!
Enquanto procuravam por todo o Colégio o terceiro ovo, as crianças encontraram uma pessoa diferente, parecida com a tia Sol, mas que se apresentou como Paleontóloga. Misturando algo que parecia um experimento, a Paleontóloga explicou às crianças que fora ela quem pegou o terceiro ovo, pois viu que ele estava com umas rachaduras e resolveu observá-lo melhor.


A Paleontóloga foi convencida pelas crianças a deixar o ovo junto com os outros no ninho. Mas quando foram devolvê-lo, mais uma surpresa! Um dos ovos havia rachado e de dentro dele havia saído...
Ninguém sabia!


O que sabíamos é que no Colégio haviam aparecido três ovos: um deles estava inteiro, o segundo estava rachando e o terceiro estava aberto e vazio! Procuramos por todos os lados, perguntamos para todos que passavam por ali.
E, no final da tarde, enquanto brincavam nas cavernas, as crianças ouviram uma voz estranha...


 De longe viram uma pessoa diferente, que falava e andava para todos os lados como se estivesse procurando algo!


Olá! Eu sou Piteco! Estava brincando aqui no domingo e esqueci três ovos naquele parque, vocês viram se alguém pegou? 
As crianças foram logo explicando o que havia acontecido... Piteco ficou preocupado e pediu ajuda a todos para procurar o seu "amigo" que havia nascido daquele ovo.



 Agora com mais um amigo no grupo do Plantão a tarde ficou mais divertida! Lá foram eles, atrás de pistas que levassem até o encontro do...


Super Dino! Que meio confuso, achou que todas aquelas crianças eram seus irmãos e tinham saído dos outros ovos. As crianças explicaram ao Dino o que estava acontecendo e, quando foram mostrar a ele o ninho com os outros dois ovos... Mais uma surpresa! Encontraram apenas cascas... Dino, Piteco e as crianças ficaram muito preocupados e saíram em busca dos outros irmãos de Dino que haviam nascido!


A busca levou algumas horas. Encontraram de tudo pelo caminho: bruxas, princesa, príncipe... 



E quando já estavam cansados de procurar e preocupados, pois o plantão de férias ia acabar e aqueles dinossauros iam ficar soltos pelo Colégio...
Piteco deu um grito! No meio do jardim as crianças viram algo mais verde do que as plantas! Era o segundo Dinossauro, que saiu correndo de medo das crianças. Nessa correria toda, Piteco deu mais um grito! Lá estava ele, correndo pelo parque, o outro irmão do Dino!
Ufa! Agora o Plantão pode acabar!
 Mas antes as crianças precisaram convencer a família de Dino e Piteco que eles precisavam ir embora, pois na segunda-feira todos os outros alunos voltariam para o Colégio e seria difícil explicar para todos o que havia acontecido na semana.