quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Criança deve acreditar em Papai Noel?


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O garoto Joaquim Dias Rubim, de 6 anos, ficou um pouco desconfiado quando, no ano passado, o Papai Noel chegou todo bronzeado para entregar os presentes de Natal. “Ele estava moreno. Acho que tinha ido à praia”, contou o menino, estranhando que um sujeito que mora no Polo Norte aparecesse com a cor do verão. Mas com o incentivo da mãe, a pedagoga Simone Rubim, a suspeita foi esquecida e, neste ano, ele já fez a cartinha ao bom velhinho. “Eu acho importante ele acreditar, resgatar esta inocência, esta fantasia nas crianças”, diz Simone.

A dúvida em crenças como a do Papai Noel é um processo natural no desenvolvimento infantil. Geralmente, por volta dos sete anos, quando o pensamento da criança é mais lógico e ela começa a comparar informações, a desconfiança aparece. No entanto, a idade da “descoberta” pode variar de acordo com o estímulo que ela recebe dos pais e com o ambiente em que vive.

Incentivar as crianças a crer em figuras imaginárias, como a do Papai Noel, enriquece o imaginário e favorece a exploração das ideias e do pensamento infantil, segundo explica a psicóloga e psicanalista Santuza Fernandes Silveira Cavalini, professora doutora da Universidade Mackenzie, em São Paulo. “O importante é entender que o mundo de fantasia é fundamental para que ela possa compreender a realidade. A fantasia, a brincadeira e a imaginação ajudam a criança a lidar com os seus sentimentos”, comenta.

O psiquiatra José Raimundo Lippi, especialista em crianças e adolescentes, diz que a crença no Papai Noel contribui, ainda, para o estímulo da criatividade e atende às fantasias de onipotência próprias da primeira infância. “Assim como creem que os super-heróis podem voar, elas acreditam na existência de um ser poderoso, que pode atender aos seus pedidos”, explica.

 
Meu filho descobriu, e agora?

Com crianças antenadas no mundo virtual fica cada vez mais difícil manter a fantasia por muito tempo. Segundo a psicopedagoga Maria Irene Maluf, hoje em dia é complicado que uma criança com acesso à internet, à TV, que vá à escola e que tenha irmãos e amigos mais velhos acredite na figura do Papai Noel após os cinco ou seis anos de idade.

E, quando a dúvida surge, é comum que a criança procure respostas no computador ou questione os pais ou os familiares. A advogada Juliana Leal passou por isso quando, no ano passado, depois de comentários de coleguinhas da escola, o filho Vinícius Leal, então com 9 anos, veio perguntar sobre a existência do bom velhinho. “Respondi que, se dentro do coração dele ele acreditasse, então o Papai Noel sempre iria existir”, conta a mãe. A resposta “em aberto” de Juliana foi proposital. “Não queria forçar uma situação, obrigá-lo a acreditar ou fazer com que ele fingisse acreditar no Papai Noel só para não me deixar chateada”, explicou.

Simone, mãe de Joaquim, acha importante incentivar a fantasia do Papai Noel

Foi então que, a partir daquele ano, Vinícius deixou a fantasia de lado. Não escreveu a tradicional cartinha, como fazia antes, e pediu o presente de Natal diretamente à mãe. “O problema é que, hoje, as crianças convivem com o mundo real e outro virtual o tempo todo e estão muito mais aptas a compreender, por si mesmas, que o Papai Noel é um personagem muito mais cedo do que os adultos pensam”, explica Maria Irene Maluf.

A psicopedagoga recomenda também que, quando os pais forem questionados, o melhor mesmo é serem francos com a criança e não forçarem a crença. “Quanto mais tempo estes adultos insistirem na veracidade da história do Papai Noel, perante um filho que já conhece a verdade, maiores a angústia e a decepção da criança. Afinal, insistindo nessa situação, parece que os pais não acreditam que ela já tenha crescido a ponto de distinguir a fantasia da realidade”, diz.

Maria Irene faz questão de ressaltar que essa revelação deve ser feita ao tempo da criança. Ela explica que ser radical e dizer que a figura não existe, sem que a desconfiança tenha vindo da própria criança, é tirar dela a participação em uma história emotiva, cheia de símbolos e com um personagem que dá exemplo de bondade, ensina virtudes e dá esperanças, como outros tantos heróis.

Antes da hora ou tarde demais

Mas o que fazer se a criança desconfia muito cedo que Papai Noel não existe? Neste caso, o melhor é voltar a pergunta, indagando o filho: “o que você acha?” Assim, descobre-se exatamente o que ele já sabe e o que realmente deseja entender. “O melhor jeito é dizer que o Papai Noel existe, sim. Explique que ele é personagem de uma linda história, contada há muitos anos na época do Natal e, assim como a Cinderela e o Peter Pan, mora na nossa imaginação”, indica Maria Irene.

No entanto, também não há motivos para preocupação se a descoberta demorar mais a aparecer. “O que ocorre é que muitas crianças são desestimuladas e mesmo desencorajadas a persistir na crença por familiares ou coleguinhas. O fato é que cada uma precisa do seu tempo para deixar de acreditar no Papai Noel e em outras crenças”, conclui o psiquiatra José Raimundo Lippi.

 

Alessandra Oggioni- especial para o iG São Paulo

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Como lidar com a ansiedade das crianças no fim do ano



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O corre-corre do fim do ano não mexe apenas com a sua rotina, mas também com a das crianças. Ensaios para festas de encerramento na escola, no inglês, na natação, no balé e o acantonamento indicam que o ano está chegando ao fim, e isso pode deixar seu filho ansioso. Para ajudar você a contornar as emoções das crianças nesse período, selecionamos situações e o que fazer em cada uma delas para que esta época não seja um caos para elas (e nem para você!).
Meu filho está triste com a chegada das férias

O maior problema das férias é a criança ficar entediada. Para evitar, o melhor dos mundos seria se os pais conseguissem se programar para conciliar alguns dias de folga junto com os filhos. A criança já ficaria mais animada só de saber que a rotina dela ao lado dos pais seria ainda mais próxima, desde acordar junto até sair para tomar um sorvete ou viajar. Porém, nem sempre essa situação é possível. Assim, ainda que o seu filho fique com a babá, empregada ou avó, antes mesmo da chegada das férias, converse com ele para que programem juntos algumas atividades para os dias longe da escola. Pode ser desde uma ida ao teatro, cinema ou parque até chamar os amigos que estão na cidade para passar o dia com ele. “Assim, ele vai entender que, apesar de não ir para a escola, ficar ao lado dos amigos todos os dias, também vai fazer coisas diferentes e gostosas”, diz Rita Calegari, psicóloga infantil do Hospital São Camilo (SP). Na programação, vocês podem incluir brincadeiras com argila, papel machê, guache. Como as crianças em geral ganham presentes no fim do ano, marque um dia com o seu filho para que ele separe brinquedos que não quer mais. À noite, quando chegar do trabalho, vocês podem embrulhar e organizar a entrega para alguma instituição de crianças carentes. Mandá-lo para acampamentos também é uma opção, mas que será válida somente se for o desejo dele.
 
Meu filho é muito tímido. Ele deve participar da festa de fim de ano na escola?

É muito rico a criança participar de um ritual de passagem, que indica o encerramento de um ciclo para o começo de outra etapa na vida. Além da recordação que ela terá da infância, a apresentação da escola é uma oportunidade de ela mostrar à família o que aprendeu. É um dia especial. Ainda que o seu filho não queira participar, o que acontece, em geral, com crianças menores, leve-o ao local do evento e deixe-o junto com os amigos na “concentração”. É bem provável que junto com eles e os professores, ele se sinta motivado a subir no palco. Caso não queira mesmo, não há problema. Assista ao lado dele à apresentação dos amigos. Ele ficará animado para uma próxima vez.

Meu filho não para de perguntar sobre o presente de Natal. O que eu faço?

É difícil controlar a ansiedade da criança em relação a um presente nesta época do ano. As propagandas de TV, os enfeites dos shoppings, dos prédios, das casas já indicam que o Natal está chegando. Não dá para impedir que ela pergunte mesmo. O melhor é ouvir e propor outros assuntos. Trabalhar o tempo com a criança também é importante. Que tal usar um calendário para contar quanto tempo falta para a chegada do Natal? Assim, fica mais fácil seu filho visualizar quantos dias precisa esperar para ganhar o presente. E nada de cair na tentação de dar o que ele pediu antes da data. “O gostoso das datas é passar por elas. Ganhar antes não tem o mesmo valor de receber no dia. É importante os pais trabalharem a tolerância à frustração com as crianças. Datas como o Natal, Páscoa, aniversário, são ótimos momentos de transmitir valores para os filhos”, diz Rita.

Fonte: Revista Crescer

 

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Ouvir histórias e brincar torna seu filho mais inteligente na vida adulta


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Ao ler uma história para o seu filho, duas novas possibilidades se abrem. A primeira é a do conhecimento. E ela acontece quando vocês descobrem, juntos, como as formigas vivem, por exemplo. A segunda é a da imaginação, que se desenrola a cada cena do texto contado por você. Cada um pode imaginar e criar do jeito que quiser o palácio do rei ou o guarda-roupa de uma princesa.

Oferecendo essas duas possibilidades por meio dos livros e dos brinquedos – afinal, brincar também é criar uma história - você garante que seu filho seja mais inteligente no futuro. Essa foi a conclusão de um estudo feito pela Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, feito com 64 crianças, que foram acompanhadas desde o nascimento até completarem 20 anos.

Durante esse tempo, os especialistas avaliaram os estímulos que elas recebiam em casa. E, então, quando completaram 20 anos, foi realizada uma ressonância magnética cerebral. Pelo exame, os cientistas comprovaram que aquelas crianças que, aos 4 anos, viviam em um ambiente com mais livros e brinquedos - e pais que interagiam com elas - tinham o córtex cerebral mais fino, o que está relacionado com mais inteligência, ou seja, QI mais alto na vida adulta. Essa parte do cérebro desempenha um papel fundamental em funções complexas, como a memória, atenção, consciência, linguagem, percepção e pensamento.

A espessura do córtex cerebral sofre alterações ao longo da vida. As crianças mais novas têm o córtex mais grosso, mas, à medida que vão crescendo, as células que não são tão importantes são podadas, o que permite que o cérebro fique mais ágil.

O bioengenheiro Brian Avants, um dos autores da pesquisa, conta que o estudo mostrou que os estímulos no ambiente doméstico durante a primeira infância, em especial aos 4 anos, enriquece o desenvolvimento do cérebro na idade adulta. “A psicologia já havia levantado essa questão, mas agora nossa pesquisa reafirma a longevidade do efeito, que altera até mesmo a estrutura do cérebro. Dessa forma, ter livros e brinquedos ao redor das crianças, além de pais que interagem e estimulam, são pontos importantes para o desenvolvimento”, completa Avants.

“É durante os primeiros cinco anos de vida que a criança tem mais facilidade para aprender e se familiarizar com novos hábitos. Por isso, quando os pais apresentam uma nova história, eles estão criando uma nova janela de oportunidade para que a criança goste de ler, de ouvir histórias, de aprender e imaginar”, diz a neuropediatra Saada Ellovitch, do Hospital Samaritano (SP).

Para aproveitar essa capacidade, é ainda melhor oferecer diferentes tipos de livros, porque cada um estimula um novo olhar. “Os de imagens ajudam a criança a construir uma nova história, aqueles com texturas e sons desenvolvem o tato e a audição. Há também os livros de mistério, suspense, contos de fadas, engraçados, de receitas, artesanato. Tudo conta e oferece um tipo diferente de estímulo”, diz Maria José Nóbrega, assessora pedagógica da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo. Abaixo, você confere 10 dicas de como estimular a leitura aí na sua casa:

- Leia para o seu filho desde bebê, e junto com ele depois!
- Escolha os livros preferidos dele (e os que você mais gosta) ou selecione por temas. Pode ser uma seleção com contos de fadas, de dar medo, com animais...

- Permita que a criança manuseie livros. Se forem pequenos, eles vão amar os livros-brinquedos.

- Monte uma estante de livros no quarto do seu filho. É importante que eles estejam sempre ao alcance das crianças, isso vai aproximá-los.

- Converse sobre os livros, mas não explique a história. É preciso que a criança tire suas conclusões, crie, imagine.


- Invente suas próprias histórias. E permita que seu filho faça o mesmo. Uma dica: você pode começar uma e a criança continua

- A história que vocês inventaram também pode se transformar em um roteiro para teatro. Basta montar um palco improvisado, roupas diferentes e está pronto!

- Leve seu filho para passear em livrarias e permita que escolha os próprios livros

- Em um fim de semana qualquer, chame seu filho para arrumar o acervo de livros em casa. E aproveite a arrumação para descobrir aqueles que não eram lidos há tempos


- Dê o exemplo, leia e mostre a eles o quanto isso é bacana!


Fonte: Revista Crescer

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Um guia completo para as férias

 
 
As férias escolares estão chegando. Para as crianças, é um dos períodos de descanso do ano. Agora é esquecer um pouco a escola e só pegar em cadernos daqui a dois meses. Esse tempo todo, porém, preocupa um pouco os pais. O que fazer com os pimpolhos em todo o tempo livre? A preocupação é justificada, mas a boa notícia é que existem, sim, diversas formas interessantes de entreter a garotada e, de bônus, ainda reforçar os laços familiares. Só é preciso um pouco de dedicação, isto é, nada de largar a tarefa para o playground do prédio e os fiéis companheiros eletrônicos - videogame, TV e computador.

O segredo é não encher a criança de compromissos e, ao mesmo tempo, também não a deixar totalmente desorientada. O ideal, portanto, seria programar viagens, passeios culturais, visitas aos amiguinhos e afins, mas sem lotar os dias de seu filho a ponto de nunca deixá-lo sozinho e livre para escolher o que quer fazer. O equilíbrio também é bem-vindo na seleção de atividades. Dias de chuva pedem brincadeiras indoor? Pois nos dias de sol não deixe de ir andar de bicicleta no parque. Vão viajar em família? Invente jogos coletivos, que podem ser muito divertidos mas, na volta, deixe a criança um pouco isolada, para que tire proveito também da introspecção e de sua própria imaginação.

Veja algumas sugestões para as férias das crianças:

·        Diversão em família -  as férias são uma boa oportunidade de a criança conviver com os parentes e ter novas experiências e aprendizados;

·        Vizinhos - nada de TV, as crianças podem aprender muito mais nas férias ao explorar a vizinhança;

·        Pais e filhos - atividades e brincadeiras para aproximar você de seus filhos são muito bem-vindas. Ensine brincadeiras da sua época de crianças;
 
 

·        Livros: leitura e contação de histórias animam qualquer tarde chuvosa. Teatrinhos e fantoches também são ótimos;

·        Ensine brinquedos que vocês podem fazer: pipa, pé de lata, bola de meia, telefone com latinhas e barbante...

·         Viagens: diversão e aprendizagem em família. Priorize roteiros com atividades para crianças.
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·        Passeios: zoológico, parques, praças, museus infantis, teatro, cinema, pontos turísticos da sua cidade e planetário.

 

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Três atitudes que fazem diferença no desenvolvimento do seu filho


 
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Ouvir, dar um beijo, pegar no colo, afagar os cabelos. Ninguém economiza carinhos para o filho. Além de ser uma delícia, esses pequenos gestos dão suporte emocional para a criança, o que é essencial para ele adquirir autoconfiança, autoestima e ser resiliente, com capacidade para enfrentar as adversidades. Veja outros cuidados importantes:


Estimule brincadeira livres. Significa explorar com curiosidade, manusear objetos, imitar os adultos. E não é só em casa que isso deve acontecer. Estar em contato com outras pessoas e em ambientes diferentes amplia as oportunidades de aprendizado. “Os estímulos ajudam na formação e na manutenção das sinapses nervosas. As crianças têm de duas a três vezes mais sinapses do que os adultos, porque a perda delas ao longo da vida é um processo natural. Mas, se são estimuladas, essa perda é menor”, afirma Mauro Muszkat, neuropediatra, coordenador do núcleo de atendimento neuropsicológico infantil interdisciplinar da UNIFESP.

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Não deixe a TV ligada o tempo todo. Sim, ela pode ser sua aliada em alguns momentos. Tudo bem deixar seu filho vendo televisão com boa programação de vez em quando para você conseguir ter um tempo para organizar algumas coisas em casa enquanto ele está entretido, ou até mesmo para vocês assistirem, juntos, a um desenho que ele gosta. A programação evoluiu bastante e oferece conteúdo de qualidade para o público infantil, mas como a TV é uma atividade passiva, que não favorece a interação, é importante intercalar o desenho com uma outra proposta, como brincar com algum jogo, desenhar, dançar, etc.


Que tal apresentar para o seu filho as músicas daquela banda que você adora, ou, então, conhecer, com ele, as canções que fazem sucesso com as crianças? Não bastasse esse ser um momento de diversão e descontração, que aproxima ainda mais vocês dois, ainda leva a um ganho neurológico, acredite. Crianças que têm contato com música têm mais áreas ativadas no cérebro, o que sugere um maior desenvolvimento neurológico. Já ouvir histórias ajuda a criança a ter um processamento cerebral mais amplo, treinando a atenção, a audição e a imaginação. Por isso, durante a contação, não economize nas variações dos tons de voz, nos gestos nem na variedade de livros que você vai ler.
 

Fonte: Revista Crescer