segunda-feira, 29 de abril de 2013

Dia do Índio na escola


Ao sermos questionados por não termos comemorado o Dia do Índio no Colégio, resolvemos explicar alguns motivos, aproveitando uma reportagem da Revista Nova Escola.

O Dia do Índio é comemorado em 19 de abril no Brasil para lembrar a data histórica de 1940, quando se deu o Primeiro Congresso Indigenista Interamericano. O evento quase fracassou nos dias de abertura, mas teve sucesso no dia 19, assim que as lideranças indígenas deixaram a desconfiança e o medo de lado e apareceram para discutir seus direitos, em um encontro marcante.

Por ocasião da data, é comum encontrar nas escolas comemorações com fantasias, crianças pintadas, música e atividades culturais. No entanto, especialistas questionam a maneira como algumas dessas práticas são conduzidas e afirmam que, além de reproduzir antigos preconceitos e estereótipos, não geram aprendizagem alguma. "O índigena trabalhado em sala de aula hoje é, muitas vezes, aquele indígena de 1500 e parece que ele só se mantém índio se permanecer daquele modo. É preciso mostrar que o índio é contemporâneo e tem os mesmos direitos que muitos de nós, 'brancos’” (Maria do Socorro de Oliveira).

No CLQ não usamos o Dia do Índio para mitificar a figura do indígena, com atividades que incluam vestir as crianças com cocares ou pintá-las.

Fazemos uma discussão sobre a cultura indígena usando fotos, vídeos, música e a vasta literatura de contos indígenas. "Ser índio não é estar nu ou pintado, não é algo que se veste. A cultura indígena faz parte da essência da pessoa. Não se deixa de ser índio por viver na sociedade contemporânea (Majoí Gongora)”.

Mostramos aos alunos que os povos indígenas não vivem mais como em 1500, como seres à parte da sociedade ocidental, que andam nus pela mata e vivem da caça de animais selvagens. E sim que, hoje, muitos têm acesso à tecnologia, à universidade e a tudo o que a cidade proporciona. Nem por isso deixam de ser indígenas e de preservar a cultura e os costumes.

Não representamos o índio com uma gravura de livro, recorremos a exemplos reais que explicam qual é a etnia, a língua falada, o local e os costumes. Explicamos que o Brasil tem cerca de 230 povos indígenas, que falam cerca de 180 línguas e que cada etnia tem sua identidade, rituais, modo de vestir e de se organizar.

O dia 19 de abril não é o único dia do índio na escola. A Lei 11.645/08 inclui a cultura indígena no currículo escolar brasileiro. Por isso, o tema está previsto no planejamento dos professores. Na Educação Infantil, o tema é apresentado nas rodas de conversa, dentro da área de Natureza e Sociedade. No Ensino Fundamental, está presente no planejamento de História, de Língua Portuguesa e de Geografia, através de discussões e atividades sobre a cultura indígena e seu legado para o nosso dia a dia, seja por meio da língua, da alimentação, da arte ou da medicina. 

Fonte: Revista Nova Escola


segunda-feira, 22 de abril de 2013

Aprendendo a andar de bicicleta



Na maioria dos casos, a partir dos 6 anos, seu filho estará pronto para aprender a pedalar sobre duas rodas, o que é muito benéfico para a saúde física dele,  já que ele estará se exercitando, e, também, divertindo-se.

Tenha a certeza de oferecer à criança uma bicicleta adequada ao tamanho dela. Se necessário, podem ser usadas rodinhas de apoio até que seu filho se acostume a andar.

A criança também deve usar capacete e roupas coloridas. Assim, ela será vista mesmo quando houver pouca iluminação. Verifique regularmente as condições e o tamanho do capacete, adequando-o ao crescimento do seu filho. Você também deve usar acessórios de segurança; além de se proteger, dará um bom exemplo para ele.

Ensine a ele as regras para andar em ruas ou parques. Explique que, por estar de bicicleta, em movimento, as pessoas podem ter dificuldade em vê-lo.

Providencie uma buzina e mostre como e quando usar – pode ser muito útil nesta fase.

Se você quiser encorajá-lo a andar sobre duas rodas, siga os passos abaixo:

- Retire as rodas de apoio lateral. Sente-o no selim e permita que ele encontre o próprio equilíbrio. Você pode segurar suavemente atrás do banco, como apoio para ele.

- Posicione a bicicleta em uma pequena descida e peça que ele levante os pés enquanto desce deslizando com ela, com você sempre dando suporte pelo selim. Lembre-se de dizer que ele pode colocar os pés no chão se a bicicleta ameaçar tombar.

- Agora, instrua-o  a pedalar, mas não solte o banco da bicicleta ainda.

- Antes que perceba, você terá um ciclista confiante, que não precisará das rodinhas de apoio.

Fonte: Revista Seu Filho Ano a Ano 

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Quatro coisas que todo filho gostaria que os pais soubessem



Preste atenção em mim, e não apenas no que estou fazendo de errado.
Claro que você quer educá-lo da melhor forma possível, e o tempo todo está fazendo isso, mas divida o tempo que fica com ele para apenas curti-lo! Não importa a quantidade de horas que você está ao lado dele, mas, sim, o que acontece durante esse período. Seja espontâneo. Se você não é do tipo que rola no chão, há diversas outras formas de você mostrar que se preocupa com ele, como um bom bate-papo, um jogo de videogame, um livro lido a dois. O que faz diferença é você estar inteiro naquela hora.

Não me peça para ficar quieto quando estou com raiva, permita que eu fale o que estou sentindo. 
É difícil mesmo ver como seu filho tão pequeno pode estar tão abalado com alguma situação de que não gostou. Mas explodir e não deixar a criança expressar o que está sentindo faz com que ela se sinta desamparada por perceber a ira dos pais. Assim, ele se vê obrigado a guardar aquele sentimento para não ver os pais bravos. Isso pode trazer problemas de comportamento no futuro ou, ainda, regressões em seu desenvolvimento, como voltar a sujar as calças quando já largou as fraldas. Ajude a criança a lidar com a raiva, por meio do diálogo e do seu amor.

Eu já sei que errei e estou arrependido. Não precisa ficar tão bravo comigo. 
A ocasião mais complicada para dar uma punição em uma criança por mau comportamento é quando ela já está realmente arrependida do que fez. Se ela ficou triste com sua atitude errada, isso significa que sua consciência está viva e sadia. Além do que, ela aprendeu errando. Ter essa consciência é o melhor impedimento para a repetição do erro. Ao perdoá-la, você está ensinando-a a lidar com a culpa e o sentimento de perdão. Nesses momentos a criança entende que você se preocupa com ela e a ama muito, independente do que possa acontecer.

 Eu sei que você quer me proteger, mas eu posso tomar algumas decisões e ajudar em diversas coisas no dia a dia. Basta você me ensinar.
Aos poucos, você pode ajudar o seu filho a fazer as suas próprias escolhas em coisas simples, como escolher o tênis que quer usar ou a escova de dentes. Toda vez que você deixa seu filho tomar uma decisão, ele sente que tem mais controle sobre sua vida, e isto é positivo. Ele vai passar a cooperar ainda mais para conseguir o controle que está constantemente procurando. Além disso, há muitas tarefas que a criança pode assumir, não só para ajudá-la em casa, mas porque ela se sente importante em poder contribuir. Ela simplesmente precisa de você para lhe ensinar como fazê-las, seja na hora de arrumar a mesa, as gavetas, alimentar os animais de estimação, entre outras ocasiões. 

Fonte: Revista Crescer

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Conhecendo melhor o Projeto Pedagógico de 2013



Transformação. Esta é a palavra-chave para entender o tema proposto pelo CLQ neste ano: “Arte e Ciência para a Alquimia Interior”.

“Dar nova forma, feição ou caráter, mudar, modificar, transfigurar, converter, mudar de estado, posição, condição, forma” é a definição da palavra no Dicionário Aurélio.

Para que a ideia de transformação ganhasse ainda mais significado, o Colégio optou por utilizar a palavra Alquimia, destacando que nem todas as mudanças podem ser classificadas desta forma, apenas aquelas que modificam a “essência”, a substância da nossa existência.

A Alquimia é, então, uma ciência natural que busca a compreensão da própria natureza a partir de uma especulação filosófica. Ana Beatriz Frischgesel Fonseca, em seu trabalho ‘O simbolismo alquímico’, concluiu: “(...) a abordagem transdisciplinar possibilitou-me compreender a sala de aula como um ‘vaso alquímico’, ou seja, um espaço que, além dos conteúdos e experimentos, caiba também a experiência do encontro, da criatividade e das emoções, onde as verdades absolutas e os caminhos únicos podem ceder lugar para a dúvida, para a descoberta, para a possibilidade de construir novas maneiras de aprender e para uma nova forma de relação com esse conhecimento, permitindo a cada estudante viver uma grande aventura: a de encontrar a ‘pedra filosofal’.

A pedra filosofal é um termo metafórico que significa a pureza e a sabedoria interior, capacidade de auto-renovação e integração à totalidade da vida com suas inúmeras transformações.

E como trabalhar este assunto tão complexo com crianças pequenas?

Primeiramente, através da Arte, que é uma linguagem subjetiva, simbólica, e que pode ser trabalhada com ênfase na Música (teatro, dança), nas Artes Plásticas e na Literatura. 

Um som traz ritmo, movimento, relação com o corpo e consciência do tempo. Logo, com a música, é possível ouvir e perceber, jogar e brincar, dançar e movimentar-se, criar e imaginar.

As Artes Plásticas, a partir das imagens, refletem o pensamento da humanidade ao longo da história. Já a Literatura, pode ser trabalhada por meio dos contos de fadas, mitos e heróis que vencem obstáculos e são exemplos para as crianças. Essas linguagens simbólicas favorecem a expressão do mundo interior de cada um.

A Filosofia é a responsável por fazer o entrelaçamento da Ciência e da Arte.  Nasce das dúvidas do homem sobre si mesmo e sobre sua relação com a natureza; evoca uma visão transformadora sobre o mundo e resulta na educação, que tem o propósito da construção do ser.

Já a Ciência, é objetiva, é a observação do real, das transformações química e física. É através dela que as crianças vão se iniciar cientificamente e poderão observar no laboratório, por exemplo, a germinação, o crescimento das plantas, o amadurecimento das frutas, a metamorfose, as mudanças de estado da água etc.

Nas atividades de culinária, os pequenos poderão também entender melhor a fermentação e a transformação pelo fogo.

Com essas e outras atividades, o CLQ pretende ensinar às crianças de forma prazerosa, ao longo do ano, o real sentido da palavra “alquimia” e tudo o que ela pode significar.  

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Surgem as mordidas...


Como podemos entendê-las?

De quando em quando, dentro da dinâmica escolar, o assunto vem à tona: crianças são mordidas e pais ficam preocupados. Na tentativa de ajudar a entender essas manifestações, produzindo este texto sobre características da faixa etária, o contexto onde acontecem as mordidas e qual é a postura do Colégio em relação a elas.

Entre 1 e 2 anos, a criança ainda tem na sua boca uma das grandes fontes de descobertas. Do brinquedo à pedra, passando pela chupeta, tudo ela leva à boca para experimentar e para dela retirar sensações diversas. Chupar, morder, sugar, degustar, emitir sons, inspirar e expirar são ações que dão prazer e também por onde pode relacionar-se com o mundo externo.

Os dentes que estão despontando na gengiva coçam e afligem a criança nesta fase. Outro fato a se considerar é que as crianças frustram-se com facilidade e têm pouco controle sobre seus impulsos. No entanto, considerar somente estas características é pouco. É preciso olhar com atenção o contexto em que vive a criança. O próprio fato de ingressar na escola traz consigo vários desafios de adaptação como, por exemplo, sair de um ambiente mais familiar e seguro para o outro ambiente mais amplo e desconhecido.
Tanto o aluno como seus pais estão à procura de uma abertura para mudanças, mas uma certa ansiedade em relação ao novo sempre aparece .

Ilustrativa
DENTRO DA ROTINA DA ESCOLA, EM QUAIS MOMENTOS APARECE A MORDIDA?

Para as crianças desta faixa etária, compartilhar ainda é difícil, já que o outro não é percebido como diferente delas próprias. O outro só existe em função do seu desejo. Na hora da disputa por algum objeto ou pela companhia de alguém, aparece o conflito seguido da sensação de perda. O desconforto deste sentimento é algo que ainda não pode ser compreendido e, na ânsia de livrar-se dessa situação, agem rapidamente usando seu corpo. O corpo é aquilo que lhes é mais conhecido, sobre o que têm algum controle e a boca, o foco de sua expressão. Num instante, acontece uma mordida.

Mais raramente, pode ocorrer de alguma criança ficar muito cansada ou com sono e, também diante deste desconforto, irritar-se e morder.

Há também a mordida como manifestação de contato. Quando começam a despertar para o fato de que existem outras crianças, quando vão se conhecendo melhor e criando vínculos, aparece uma mistura de união e empurrão, beijos e abraços apertados com mordidas e beliscões. Não podemos esquecer que muitos pais dão pequenas mordidas nos filhos como forma de carinho.

A reação do outro é também algo que estão explorando e experimentando. Muitas vezes são surpreendidos por esta reação por não terem a real dimensão da dor provocada. É comum ficarem assustados, e chorarem também, junto com o outro.

MORDER É SINAL DE AGRESSIVIDADE?

Na maioria dos casos não há intencionalidade ao morder, ou seja, a criança não planejou a ação. Como já foi dito, a mordida pode ter saído de um abraço apertado ou como uma forma de aliviar um desconforto do momento.

Porém, a mordedura é a primeira pulsão agressiva das crianças e pode estar representando uma zanga, um ciúme ou uma autoafirmação. Como nesta faixa etária ainda não conseguem dosar sua força ou até seus impulsos, às vezes podem assustar os adultos.

O PROCESSO NATURAL DE DESENVOLVIMENTO:

Podemos entender a mordida como expressão da combatividade da criança. Combater para conseguir o que quer, usar uma força interna para conseguir algo por conta própria, faz parte do desenvolvimento infantil. Com essa compreensão, cabe ao adulto mostrar as formas socialmente aceitas como alternativa para esta manifestação. Em especial, através da linguagem verbal.

Incentivar o uso da palavra para negociações ou para expressão de sentimentos nestas ocasiões de conflitos é instrumentalizá-Ia, é ajudá-Ia a despertar para a fase seguinte no tocante ao controle das emoções e do desenvolvimento da fala. "Você ficou brava com fulano porque ele pegou seu brinquedo. Diga para ele 'Estou brincando agora, te empresto depois'. Fulano está chateado porque você o mordeu. Vamos lá pedir desculpas e fazer uma carinho nele". Tudo isto faz parte de um aprendizado de cunho social que demanda certo tempo para ser internalizado pelas crianças. Dentro desta fase, quanto menor a ansiedade que gerarmos mais tranquilamente ela passará.

No entanto, precisamos deixar claro para aquelas que mordem que esse seu ato não é positivo, que enquanto adultos não podemos permitir que elas machuquem outras crianças.

Quando for necessária uma colocação mais firme, devemos verbalizar que combater pelo que se quer não é errado, e sim a forma como foi feito.

COMO O FATO É TRABALHADO NO COLÉGIO:

Quando começam a surgirem mordidas, podemos atuar individualmente e em grupo. Em termos individuais, observamos quais dificuldades às crianças estariam apresentando tanto para se relacionar, para combater, para se expressar ou até para se defender. Na hora de intervir, levamos em conta que tanto aquele que foi mordido como o que mordeu, ambos necessitam de nossa atenção. Seja para um carinho e um consolo, seja para que o ajudemos a enxergar outras maneiras de expressar desconforto e descontentamento. "É melhor você dizer 'eu não gostei', ' estou muito bravo' ou ‘agora é a minha vez'".

Precisamos ressaltar que o referencial do adulto é muito importante. Por causa do vínculo afetivo que o une à criança, o adulto será modelo onde ela buscará as formas socialmente aceitáveis para negociar a posse de um objeto, a sua vez de brincar, como expressar sentimentos e desejos.

Em grupo, podemos verificar qual momento social a criança está vivendo e se está bem adaptada. Conversas na hora da roda, atividades coletivas de sensibilização da boca, oportunidade par compreensão da força dos dentes como morder alimentos resistentes, são alguns dos recursos que podemos utilizar no nosso trabalho.

Também envolvidos nesta questão, temos os pais dos alunos que também precisam de acolhida. Não é fácil receber a notícia de que seu filho foi mordido, muito menos conviver com algumas marcas no seu braço. Algumas vezes chegam a perguntar: "Quem fez isto com meu filho?".

Quando isto acontecer, as professoras procurarão colocar a situação de uma forma clara, porém sem nomear, para não expor ninguém desnecessariamente. Do outro lado estão os pais da criança que mordeu. Eles poderão se constranger ou ficar aflitos com o acontecido. Para todos, nossos professores e coordenadores oferecerão apoio para ajudar a entender e a superar esta fase pela qual estão passando as crianças.

Em suma, as mordidas são manifestações que podem acontecer durante uma fase do desenvolvimento infantil. Enquanto adultos, podemos ficar atentos ao contexto, às dificuldades e intervir sempre que necessário, mostrando opções mais adequadas para a criança se expressar ou buscar o que quer.

Professora Luciana Gonçalves Borsato