quinta-feira, 24 de março de 2016

Coelhinho da Páscoa, o que fazes no Colégio?


Como em todos os anos, durante essa época do ano, já faz alguns dias que estamos ouvindo nas rodas de conversa e em outros momentos de encontro entre as crianças, diferentes colocações dos pequenos sobre a Páscoa.
O feriado religioso que acontece nessa semana é um evento importante para a sociedade brasileira, constituindo-se como a principal comemoração para os católicos (maioria religiosa em nosso país), além de um fenômeno comercial na venda de chocolates.
Enquanto escola, não podemos ignorar os fenômenos culturais de nosso país, no entanto, ao abordarmos o tema com as crianças, tomamos alguns cuidados para que não relacionem a Páscoa apenas com ovos. Não tratamos também de aspectos espirituais que são cabíveis às famílias e não à instituição de ensino.
Como os alunos da Educação Infantil, estão muito envolvidos com o “faz de conta” e com a imaginação a todo momento, relacionamos a Páscoa com atividades lúdicas que envolvem o ato de compartilhar, um valor essencial para essa faixa etária.




São atividades no estilo “caça ao tesouro” com a proposta de dividir o “tesouro” encontrado; atividades de culinária, em que o preparo e o consumo do bolo, ovo, biscoito... seja coletivo, envolvendo a ação e o desejo de todos.






A proposta é focar na brincadeira e na imaginação, sem apelo ao personagem “Coelhinho”, sem realizar produções estereotipadas que não têm sentido para as crianças e tão pouco incentivar o consumo excessivo de guloseimas, ao qual as nossas crianças já são bombardeadas no dia a dia pelas propagandas.




quinta-feira, 10 de março de 2016

O nosso dia a dia é marcado por encontros



No último texto publicado aqui no blog “A construção de ambientes favoráveis às aprendizagens na Educação Infantil”, a autora ressalta o quão é importante o olhar do educador diante das experiências da infância: o quanto esse profissional precisa saber reconhecer e compreender as inter-relações consistentes que os pequenos podem construir entre conviver, brincar e serem desafiados a aprender significativamente em espaços distintos.

Na Educação Infantil, planejar propostas para que as crianças de 1 a 6 anos participem da construção de ambientes que favoreçam as aprendizagens significa conhecer e saber alimentar intencionalmente ações autônomas e de protagonismo infantil. Ações que muitas vezes acontecem de forma conjunta, em pequenos ou grandes grupos, em duplas, trios, em rodas...




O nosso dia a dia é marcado por encontros! E, para proporcionar bons encontros, precisamos de ambientes convidativos e possibilidades para escolhas. Os agrupamentos estão presentes em nosso cotidiano e, a partir deles, conseguimos que as crianças interajam em contextos diversos, que as desafiam a ocupar diferentes posições, refletindo um trabalho de grupo em constante movimento.



Entendemos que é a partir do outro que as crianças conseguem perceber-se, “dar-se conta” de si mesmas, e isso acontece necessariamente quando se deparam a enfrentar problemas para os quais é essencial trabalhar com outros. A oportunidade de confrontar pensamentos é fundamental, pois as diferenças geram o conflito necessário para a reorganização e a elaboração de novas ideias.


Assim, novas parcerias, o reconhecimento do outro, a curiosidade pelo novo, a tomada de consciência daquilo que se torna seu, encontra terreno fértil quando os espaços favorecem configurações grupais diferenciadas em função da natureza dos desafios propostos.
Um ambiente de trabalho flexível favorece essa diversidade, espaços nos comunicam expectativas de ação e possibilidades de movimentação. Uma sala com muitas peças de vidro delicadas nos faz pensar em cuidado; uma organização de cadeiras como um cinema nos faz pensar em silêncio para uma apresentação. Na escola, uma sala espaçosa, com móveis leves que possam ser transportados e montados de diferentes formas, revela a intenção das trocas, do movimento, da interação; brinquedos dispostos de maneira diferente permitem que uma brincadeira nova apareça; recursos diferentes na hora da atividade fazem com que as ideias e as impressões sejam compartilhadas...



A partir de todas estas ideias, reiteramos o quanto o planejamento do professor, a gestão do tempo e a modificação do espaço são peças chave que contribuem para um cenário favorecedor de aprendizagens e da constituição de grupo, considerando a diversidade, o espaço de cada um e o desafio de conviver.









segunda-feira, 7 de março de 2016

Cardápio atualizado!




Cardápio dos lanches
 Educação Infantil e Primeiro ano - E. F.








Frutas sujeitas à alteração, conforme disponibilidade e qualidade na hora da compra.

quinta-feira, 3 de março de 2016

A construção de ambientes favoráveis à aprendizagem na Educação Infantil




Quem observar por algum tempo as diferentes intervenções das professoras e dos professores da Educação Infantil diante das ações das crianças que não são traduzidas em palavras, se surpreenderá com o repertório de possibilidades desses profissionais!
Já ouvi muita gente experiente comentar que jamais conseguiria trabalhar com os pequeninos porque choram e, por vezes, não são capazes de “falar” sobre o que os incomoda, o que os agrada, ou, ainda, que lhes desperta a curiosidade… Pois acredito que está aí uma de nossas especialidades!
O que não é dito pelas crianças, é entendido profundamente pelos professores. Entendido!  Não interpretado por “achismos” ou observações superficiais.
O professor dessa etapa da escolaridade, entre outras competências, exerce cotidianamente sua habilidade de compreender para além das palavras ditas. É um observador-leitor dos gestos, expressões, choros e silêncios, o que qualifica sua atuação na gestão das relações no grupo e tem forte implicação na construção da confiança pela criança em si mesmo, em suas capacidades e no seu valor como parte de uma turma, contribuindo para sua crescente possibilidade de expressão e  percepção de sua pertinência ao grupo.
Para se construir um ambiente favorável às aprendizagens na Educação Infantil, não é suficiente estudar as diferentes faixas etárias e os campos de experiência que compreendem as aprendizagens. É preciso ir além, reconhecer a plenitude da infância e compreender as inter-relações consistentes que podemos construir entre conviver, brincar, ser desafiado e aprender significativamente em distintos espaços.
Planejar propostas para que as crianças de 2 a 6 anos participem da construção de ambientes que favoreçam as aprendizagens significa alimentar intencionalmente ações autônomas e de protagonismo infantil. Aprender a conviver, cooperar com o outro, participar da criação de combinados, pesquisar, fazer pinturas, sentir-se provocado por novos desafios faz parte do cotidiano de quem está começando a entender que a presença do outro é fundamental para suas próprias aprendizagens.
As expectativas dos professores dão às crianças a dimensão da diferença de fazer parte de um grupo e aprender com isso. Neste caso, compreender a heterogeneidade como nosso principal material de trabalho nos faz acreditar na potência da Educação Infantil como espaço único de construção de um trabalho fecundo para a vida afora, mas possível de se colocar em prática aqui e agora!
Por Andrea Polo, Escola da Vila - SP